Domingo, 11 de Novembro de 2007

FEIOS..PORCOSE MAUS

Exactamente no período que antecedeu o tristíssimo espectáculo que foi o debate do Orçamento, comecei a ler p volume

 

VII de “Os Reis Malditos” de Maurice Druon, intitulado “De como um Rei perdeu a França”. Trata-se, no seu conjunto, de

 

uma reconstituição romanceada da história de frança, a partir de Filipe o Belo.

 

Não vem para o caso fazer a análise da obra citada. O que me proponho, por me parecer oportuno, é transcrever a

 

introdução ao volume que ando agora a ler, para que os meus amigos possam, feitas as devidas correcções de tempo,

 

lugar, grandeza e riqueza, tirar as suas conclusões.

 

Aí vai, portanto:

 

 

“     As tragédias da história revelam os grandes homens, mas são os homens medíocres que provocam as

 

tragédias.

    

       No início do século XIV, a França é o mais poderoso, o mais populoso, o mais activo, o mais rico dos reinos

 

cristãos, aquele cujas intervenções são mais temidas, cujas arbitragens são mais respeitadas, cuja protecção é

 

mais procurada. Poderia pensar-se que estava a começar na Europa um século francês. 

 

       O que explica então que, quarenta anos mais tarde, essa mesma França seja esmagada por uma nação cinco

 

vezes menos populosa, a sua nobreza esteja dividida em facções, a sua burguesia se revolte, o seu povo

 

sucumba ao peso excessivo dos impostos, as suas províncias se separem, e por toda a parte se multipliquem os

 

bandos de salteadores que se entregam à violência e ao crime, a autoridade seja desprezada, a moeda

 

desvalorizada, o comércio esteja paralisado e a miséria e a insegurança imperem em todo o reino? Porquê esta

 

decadência? Que acontecimento inflectiu o destino da França?

 

       Foi a mediocridade. A mediocridade de alguns reis, a sua vaidade, a ligeireza com que conduziram os

 

negócios, a sua incapacidade de se rodearem de homens de valor, a sua indiferença, a sua presunção, a sua

 

incapacidade de conceber grandes desígnios, ou mesmo apenas perseguir os que haviam sido delineados

 

antes deles.

 

      Nada é feito com brilhantismo na ordem política, e nada dura, sem a presença de homens cujo génio, carácter

 

e vontade inspirem, reúnam e dirijam as energias de um povo.

 

     Quando no topo da hierarquia do Estado se sucedem personagens incapazes, tudo se desagrega. A unidade

 

desaparece quando a grandeza se dilui. “

publicado por nuno1 às 12:39
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