Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

E a Ministra não compreende? É burra? Ou simplesmente má?

Eduardo Prado Coelho: Professores

      O umbigo da Ministra da Educação deve ser tão GRANDE
      que não a deixa ver/ouvir opiniões diferentes da sua. Há
      qualquer coisa que não está a funcionar bem no Ministério da
      Educação. Existe uma determinação em abstracto do
      que se deve fazer, mas compreensão muito escassa da realidade
      concreta. O que se passa com o ensino do Português e a
      aprendizagem dos textos literários é escandaloso. Onde
      deveria haver sensibilidade, finura e inteligência na
      compreensão da literatura, há apenas testes de resposta
      múltipla completamente absurdos. Assim não há
      literatura que resista.  Há tempos, dei o exemplo da regulamentação
      por minutos e distâncias de determinadas provas.O ministério
      respondeu-me que se baseavam na mais actualizada
      bibliografia e que tinham tido reacções entusiásticas
      perante tão inovadoras  medidas. Não me convenceram
      minimamente. Trata-se de dispositivos ridículos e
      hilariantes, que provocam o mais elementar bom senso.

      O problema reside em considerar os professores como meros
      funcionários públicos e colocá-los na escola em
      sumária situação de bombeiros prontos para ocorrer à sineta de
      alarme. Mas a multiplicação de reuniões sobre tudo e
      mais alguma coisa não permite que o professor prossiga na sua
      formação científica.

      Quando poderá ler, quando poderá trabalhar, quando
      poderá actualizar-se? Não é certamente nas escolas que existem
      condições para isso. Embora na faculdade eu tivesse um
      gabinete, sempre partilhado com mais quatro ou cinco pessoas,
      nunca consegui ler mais do que uma página seguida.
      Não existem condições de concentração. Pelo caminho que
      as coisas estão a tomar, assistiremos a uma barbarização
      dos professores cada vez mais desmotivados, cuja única
      obsessão passa a ser defenderem-se dos insultos e dos
      inqualificáveis palavrões que ouvem à sua volta. A escola transforma-se
      num espaço de batalha campal, com o apoio da demagogia dos
      paizinhos, que acham sempre que os seus filhos são
      angelicais cabeças louras. E com a cumplicidade dos
      pedagogos do ministério.

      Quando precisaríamos como de pão para a boca de um
      ensino sólido, estamos a criar uma escola tonta e insensata.

      Neste benemérita tarefa tem-se destacado o secretário de
      Estado Valter Lemos. É certo que a personagem se diz e
      desdiz, avança e volta atrás com a maior das facilidades.
      Mas o caminho para onde parece querer avançar é o de uma
      hostilização e incompreensão sistemática da classe
      dos professores.Com isto prejudica o país, e prejudica o
      Governo, com um primeiro-ministro determinado e competente, mas que
      não pode estar atento a todos os pormenores. E prejudica o
      PS, mas não sei se isto preocupa. Vem agora dizer que o
      professor deve avisar previamente que vai faltar, o que no
      limite significa que eu prevejo com alguns dias de
      antecedência a dor de dentes ou a crise de fígado que vou ter. E que
      deve dar o plano da aula que poria em prática caso estivesse em
      condições. Donde, as matérias são totalmente
      independentes de quem as ensina, basta pegar no manual, e ala que se
       faz tarde.Começa a tornar-se urgente uma remodelação do
      Governo, mas isso é tema delicado a que voltarei mais tarde.

      Professor universitário, Eduardo Prado Coelho


     






sinto-me:
publicado por nuno1 às 00:39
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