Domingo, 19 de Março de 2006

Cavaco

Quem acreditou que Cavaco Silva iria ser o presidente de todos os portugueses já começou a ver o logro em que caiu.
Enquanto Jorge Sampaio teve a ombridade de convidar para o Conselho de Estado personalidades dediversas áreas políticas, do PCP ao PP, Cavacoindicou para os 5 elementos a que tinha direito, quatro do PSD e um do PP.
Num conjunto de 20 elementos desse Conselho de Estado não há nenhum representante do PCP ou do BE, o que significa que cerca de vinte por cento dos portuguese não têm a menor possibilidade de se exprimir através daquele orgão dito de aconselhamento ao Presidente da República.
Democrata o Cavaco?
Seria para rir, se não fosse profundamente dramático.
publicado por nuno1 às 19:40
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Quinta-feira, 16 de Março de 2006

AntónioSimões Júniotr


Este nome pouco dirá a quem nãoseja de Olhão ou lá não tenha vivido há umas dezenas de anos.
Mas ´e alguém que outro olhanense , o Joaquim carlos Silvestre, não quis deixar no esquecimento.
Através deste artigo prestou-lhe a devida homenagem.
Por nossa parte pouco mais poderíamos fazer do que isto-transcrever o artigo em causa.


ANTÓNIO SIMÕES JÚNIOR – O HOMEM E O ESCRITOR

J. Carlos Silvestre

1. INTRODUÇÃO

Quem pretender elaborar um mero resumo biográfico sobre António Simões - nome por que foi registado e ao qual acrescentaram o apelido “Júnior”, para não se confundir com o do pai, depara ainda hoje com a falta e, o que é mais grave, com inexactidões, de elementos indispensáveis à verdadeira narração e compreensão da vida deste olhanense, que foi militante político, operário, escritor e que toda a vida estudou e pesquisou. Mas a vocação e a ambição que nele se sentia, o que verdadeiramente o deleitava era escrever, fazendo dele um escritor compulsivo. Foi feliz como escritor, pesquisador e estudioso, mas foi profundamente infeliz na sua vida matrimonial. Infeliz, ainda, por ter vivido cerca de dois terços da sua vida fora da Pátria, concretamente, na Argentina.

2. NASCIMENTO, INFÂNCIA, JUVENTUDE

São dados certos que nasceu a 22-09-1922, no sítio de Poço Longo, freguesia de Quelfes, concelho de Olhão. Filho de António Simões, natural de Faro e de Angelina Ignacio, nascida em Quelfes, Olhão. Com o filho em gestação ou pouco depois dele ter nascido, o pai Simões emigra para a Argentina. Júlio Fradinho (1), que conviveu com Simões Júnior, em Buenos Aires, assevera que este só conheceu o pai na Argentina.

Diz-se que completou a instrução primária – e o seu desenvolvimento intelectual parece confirmar a afirmação –, mas não se sabe que escola frequentou: se a escola do “Lopinhos” (2), se da Paróquia (ou do Padre) ou se teve a sorte de ter ingressado na Oficial, mercê de algum pedido forte, pois a capacidade de admissão desta última escola era ínfima em relação à população em idade escolar, carência que se manteve durante muitos anos.

Não tendo prosseguido os estudos, nomeadamente no Liceu, em Faro, como estaria indicado para um moço que, como descreve Manuel Madeira (3), seu amigo e companheiro das mesmas preocupações intelectuais, quando uma vez o visitou na casa onde viveu até emigrar, sita na Rua Ex-Ramal da Câmara, nº 10, Olhão, (4): “Está cercado de livros sobre a secretária onde lê e tem muitos outros arrumados na estante, ao alcance da mão. São livros sobre temas variados, de onde se destaca a História, a Filosofia, as Ciências Naturais e a Literatura.” E não foi para o Liceu por uma razão comezinha: era preciso que trabalhasse para ajudar à economia familiar. Fez-se pintor de construção civil -“mata aranhas”, como o biografado confessa que lhe chamavam(5) -, e não “operário conserveiro”, como já vi escrito.

Simões Júnior e Manuel Madeira conheceram-se, quando jovens, movidos pela mesma apetência pelos livros nos quais esperavam encontrar respostas para todas as interrogações que os assaltavam. E o local de encontro foi naturalmente a Livraria Farracha, na Rua do Comércio, em Olhão, que na época, à falta de estruturas institucionais próprias, funcionava como um “centro cultural”, agindo o seu proprietário, conhecido como opositor ao Regime - como o “animador” e o “conselheiro”! Se juntarmos a estes o Lopes de Brito e o Raul Martins Veríssimo (o último dos quais haveria de protagonizar uma das mais rocambolescas fugas às garras da Pide), temos aqui um núcleo que esteve na origem da grande movimentação política que implantou e desenvolveu em Olhão o MUD Juvenil, impulsionador das lutas reivindicativas da juventude e, pelo seu dinamismo, das camadas adultas.

O fim da II Guerra Mundial foi uma alegria para o Mundo, e, inclusive, para Portugal. O povo de Olhão, mesmo receando o aparelho policial do Estado Novo, não se conteve e saiu à rua, desfilando pela Avenida, gritando”Viva a Paz!”. O Nazi-Fascismo fora derrotado e vitoriosos saíram os Aliados, dos quais os povos esperavam liberdade, emprego e justiça social.

Olhão, em 1945, estava no auge do seu desenvolvimento económico em consequência do pleno labor das suas fábricas de conservas, da sua frota pesqueira e do bom momento da economia associada. A população cresceu que bastasse, recebendo gente que vinha atraída pelo “el dorado” olhanense. Haja em vista o fenómeno das “quarteireiras”. As ideias socialistas e comunistas encontram um campo propício à sua implantação, mau grado a existência da Pide. Simões Júnior, que lera bastante sobre os fundamentos do Comunismo e seguia atentamente a evolução da URSS, constituída após a célebre Revolução de Outubro de 1917, adere à célula do PCP de Olhão. A sua residência era vizinha dum pólo de grande concentração industrial (zona da E.N. 125, no troço da Av. Almirante Reis – Quatro Estradas, delimitada a sul pelo Caminho de Ferro), oferecendo excelentes condições de contacto com o respectivo operariado.

Simões Júnior, nas horas de trabalho, envergava o tradicional fato-macaco, mas, acabado o serviço diário, vestia-se bem. Contraditoriamente, ou por desejar agradar às raparigas, até chapéu “à diplomata” chegou a usar. À noite, frequentava o Café Avenida, no qual situou o seu poemeto “Excitação – Café Avenida – às 23 horas”, onde se encontrava com os amigos e cujo ambiente lhe serviria de argumento em mais de um dos seus livros. E é com o amigo Madeira que, nas folgas, dava grandes passeios pela Avenida da República e junto ao mar. Porque o mar assemelhava-se a “alguém” que interpelasse e transmitisse mensagens que precisavam de ser descodificadas…

3 A JORNADA DE BELA MANDIL E O CASAMENTO

Em 23 de Março de 1947 dá-se a Jornada de Bela Mandil (Olhão), um encontro de confraternização da juventude algarvia, que se queria fosse um Festival, para a organização do qual o Simões trabalhara clandestinamente. Ao fim de algumas horas, “os jovens foram surpreendidos por uma brigada da P.S.P. que os intimou, por ordem do Comandante da Polícia de Faro, a retirarem-se imediatamente da mata”(6).
Mas à P.S.P. juntou-se a G.N.R., dispondo esta de metralhadoras posicionadas nos pontos altos do percurso, que era um caminho que conduzia à E.N. 125, e desta a Olhão. A dispersão, porém, só se consumou quando a G.N.R., entre o Cemitério e a Ponte da C.P., carregou sobre a multidão, disparando tiros para o ar. Assim, …”no resto desse dia e noite e durante mais dois ou três dias, foi Olhão patrulhada pela G.N.R., a cavalo (7). O ambiente era, a um tempo, opressivo e apreensivo. Temia-se que fossem feitas prisões. Simões admitia estar incluído no rol. Mas não é isso que o impede de, no dia seguinte ao Encontro, em 24-03.1947,casar com Silvina dos Santos Pereira, natural de Tavira. Haviam-se conhecido em Olhão, pois ela vivia ou teria familiares a residir na Rua Almirante Reis (8), habitualmente, frequentada por Simões, por ser ponto de passagem para a sua residência.

4. A PUBLICAÇÃO DO 1º. LIVRO E A “FUGA”PARA MARROCOS

Entretanto, tem o livrinho “Poemas Juvenis” a imprimir na tipografia “O Algarve”, em Faro, mas como só irá ficar pronto em 22-11-1947, encarrega o seu
amigo Raul Veríssimo de o receber e distribuir, posto que tem um novo e importante projecto pessoal a cumprir e não pode esperar até àquela data.

Na verdade, uma vez casado, receando ser preso a todo o momento e sendo certo que o trabalho começava a escassear na vila, resolve “fugir” para Marrocos, - o que terá acontecido no fim do verão de 1947. Junta-se assim à saga de muitos e muitos olhanenses e naturais de outras terras do Algarve, fugidos ao desemprego. Parte com a sua noiva numa lancha, saveiro ou “enviada” no que seria uma espécie de “viagem de núpcias”arriscada, que poderia ter-se convertido numa “viagem para a morte”, sem que ambos tenham provado o mel e o fel dos anos vindouros

5. ARGENTINA – O SONHO, A OBRA, O DRAMA

Marrocos foi para ele um trampolim para um “salto”maior, embora tenha gostado do que viu e viveu nesta parte do Magreb. Para quem só viajara de Faro a V.R. Santo António e de Olhão a Lisboa, Marrocos, tão perto e tão diferente na fala, no vestuário, na paisagem e nos usos e costume, encantou-o. Sobre esse país, então um protectorado francês, escreveu um livro, Marruecos Hoi e nele situou a acção de outros, nomeadamente, La Aventuura de Casablanca. Deu-lhe até a oportunidade de escrever vários artigos para a “Voz do Sul”, de Silves.
Mas o objectivo, o sonho, é alcançar a Argentina, onde vive e trabalha o pai, que não conhece. Chega, na companhia da mulher, em 22-03-1949, e fixa residência na província de Buenos Aires. É Presidente da Argentina Juan Domingos Péron, cuja política tinha algo de comum com a do Estado Novo, à qual escapara.
Fugira do regime férreo português, mas não só teve de conviver com o peronismo como, entre os anos 1976 e 1983, que “tratar” com as ditaduras militares, que utilizaram os meios mais sujos para liquidar os adversários. Mas assistiu ainda
ao movimento das Mães da Praça de Maio, que reclamou o castigo dos assassinos!

Talvez por isso, ao publicar, em 1953, o seu primeiro livro em língua castelhana, La Realidad Portuguesa y La Politica Dictatorial, substitui o seu nome pelo pseudónimo de S. Linofre e manda imprimi-lo em Montevideu (Uruguai).
Encontra o pai, que possui uma pequena fábrica, com o que ganha a vida. Trabalha – e a mulher, Silvina, também - para sustentar a casa. Lê e escreve nas horas vagas, que são sempre poucas. Ao mesmo tempo, vai procurando – e consegue – inserir-se nos meios literários e progressistas não só de Buenos Aires como do Brasil e Angola, além de manter os laços que o ligavam à revista “Vértice”, de Coimbra, desde os tempos da sua juventude, em Portugal. Colabora em cerca de 50 jornais e revistas de várias origens, nomeadamente: “Subúrbio”, “Princípios” e “Veladas”, da Argentina -sendo, desta última, secretário de redacção - revista SUL (Brasil), no “Diário Ressurge, Goa” e em “Cultura Angolana”. Além do mais, tem que estudar para dominar o castelhano, língua que passa a adoptar, por indispensável, quer para uso corrente quer porque escreve sobretudo para os argentinos ou latino-americanos.

De acordo com Júlio Fradinho, “O Simões tinha casado com a Literatura”. Na verdade, ele estava cheio de projectos para escrever livros e outros trabalhos literários para jornais e revistas. A sua biblioteca era constituída por 30.000 volumes. A Silvina, sua mulher, alegre, vivendo no “romântico”país do tango e do mítico Gardel, tinha outras motivações… Trabalhando como assalariada, sentia-se livre e decidiu abandonar o lar. Mais tarde, pede para voltar. Simões acede em recebê-la em sua casa, mas com “vidas separadas”. Ao fim de algum tempo, a situação torna-se insustentável. Ela fecha-se num quarto, recusando todo o auxílio que o Simões estava disposto a prestar-lhe. Para lhe dar os alimentos, teve de fazer um buraco na porta por onde os introduzisse. Configurando um estado de demência mental, ela acaba por ser internada, falecendo em 16-04-1980!

Habituado a escrever desde a juventude, é só na Argentina que publica os seus livros de prosa: novelas, romances, ensaio e uma peça de teatro.
Quantos livros escreveu ele na totalidade? Uma inventariação completa não está feita ainda. O autor, em 1987, confidencia ter escrito 20 livros. É certo que ainda publicou algumas obras mais antes da sua morte, mas também é sabido que um deles, pelo menos, foi reescrito. Mas uma coisa é ter escrito, outra é ter publicado.
Por exemplo, sabe-se - ele o disse -, que o manuscrito do DOM JUAN desapareceu por completo quando do assalto à Editorial Futuro, onde o livro se encontrava para impressão, no tempo do governo de José Maria Guido. Perda que foi um trauma para o autor, posto que considerava ser a melhor obra que até então escrevera. Por outro lado, andou hesitante quanto ao título dar a alguns dos seus livros. Por exemplo: La Aventura de Casablanca esteve para se chamar La Ficción y la Realidad de Pedro Mascareñas, nome da personagem principal, “um filho de Olhão”.

Pela minha parte, respondo por 16 livros publicados: Poemas Juvenis, editado em Portugal, 1947; La Realidad Portuguesa y La Política Dictatorial, editado em Montevideu, 1953;Vieja Crónica de Olhão, editado em Montevideu, 1956;Pequeños Burgueses, 1957, editado na Argentina, como aliás todos os que se seguem;La Mariposa y el Cuervo, 1959; El Cuervo, 1973;La Piscina, 1973;Judas y Minos, 1977; Los Gatos, 1980; La Maquina de los Sueños, 1982;La Novela Imposible, 1986; Discurso sobre Velásquez, 1987; El Milagro, 1987; Cesário Verde de Memoria, 1989; La Aventura de Casablanca, 1992 e Marruecos Hoy (anos 60?). Não afirmo que esta inventariação esteja completa, mas esta é a minha contribuição para se atingir esse objectivo. Sabe-se que projectava escrever sobre Robespierre, a queda do Salazarismo e o 25 de Abril de 1974, e, muito particularmente sobre Olhão! Olhão, que de uma maneira ou de outra está presente em vários dos seus livros!
Vieja Cronica de Olhão e Pequeños Burgueses fazem parte da lista dos livros
proibidos pela Censura do Estado Novo. Estes dois primeiros livros de prosa inserem-se no movimento neo-realista português, que o escritor viveu antes de emigrar. Era o tempo de Alves Redol, de Soeiro Pereira Gomes, Faure da Rosa e dos algarvios Manuel do Nascimento, Leão Penedo, A. Vicente Campinas, etc. Mas o mundo não pára, é feito de mudança. A URSS, a “pátria do comunismo real”, dissolveu-se. Ele próprio, como ser vivo, mudou. O país que adoptou para viver é outro, outros os problemas que se põem a essa sociedade. Os novos livros reflectem o amadurecimento do escritor como homem físico, psicológico e social. A experiência obtida na terra natal, em Marrocos e na Argentina, com uns saltos a Montevideu, as leituras aturadas, a sua vida do dia-a-dia, em suma, são as fontes que formam o “estado onírico” que o leva a escrever cada novo livro. Para trás ficaram as escolas, os movimentos, as tendências literárias…
Depois de ter escrito cerca de 20 livros e o mais que já foi dito, está doente. Desde a juventude que fuma. Ele pertencia àquele tipo de intelectual que acredita que o tabaco e o café dão inspiração…Só quando entra em crise é que se lembra que tem um “sopro” no coração. Possivelmente morreu em consequência de um dos males ou dos dois simultaneamente. Provavelmente no ano em que em Portugal se publicava a tradução de Vieja Crónica de Olhão (9). Cumprira-se assim a sentença do Pe. António Vieira: “Portugal para nascer, o mundo para morrer”.O exemplar do livro que lhe foi enviado para a última morada conhecida, veio devolvido. Se o tivesse recebido, poderia ter repudiado a afirmação “Portugal não gosta de mim”. Os amigos que cá deixou “acordaram” tarde, mas, como diz o nosso povo: “mais vale tarde que nunca!”. O novo passo a dar agora é a tradução e publicação dos restantes livros publicados em língua espanhola. Há que trazer este nosso escritor ao pleno conhecimento dos algarvios em particular e dos portugueses em geral. Se não é maldito, então tem de ser arrancado ao esquecimento!

(1) Do grupo fundador de “O Jovem”, Olhão, 1947.Emigrou para a Argentina em 1951.(2) “Escola” citada in Visto e Ouvido…em Olhão…Reflexões “, de José Barbosa. (3) Autor do ensaio “Breve Retrato Psico-Cultural de António Simões Júnior”, in SOL XXI, nº.23, de 12/199. (4) Actualmente R. António Henrique Cabrita. (5) In Los Gatos, de A.S.J. (6) In “Juvenil”, órgão do Mud Juvenil, publicado a seguir à Jornada de 23-03-1947. (7) In Pequena Monografia de Pechão, de Francisco Guerreiro. (8) Segundo o depoimento de Jorge Temudo, também do grupo de “O Jovem”, Olhão, 1947.(9) Livro que na tradução portuguesa - Gráfica do Algarve, 1996 – recebeu o título Antiga Crónica de Olhão.

J. Carlos Silvestre
publicado por nuno1 às 19:56
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Terça-feira, 14 de Março de 2006

Hipocrisias(2)

Segundo esclarecimento( qual esclarecimento?) do Infarmed, cerca de quarente medicamentos( alguns dos mais populares) vão deixar de ser comparticipados pelo Estado.
O argumento é de que há dúvidas sobre a eficácia dos seus resultados.
Alguém acredita nisto?
Medicamentos, como por exemplo o Hirudoid ,que têm durante anos sido reclamados como excelentes, de momento perderam a eficácia?
Mas se assim é, não seria de pura e simplesmente acabar com a sua venda...
Quem é que eles querem enganar?
publicado por nuno1 às 13:40
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Domingo, 12 de Março de 2006

HIPOCRISIAS

DUAS HISTÓRIAS SOBRE AS MULHERES QUE MERECEM SER CONHECIDAS:


UMA DO PASSADO:



Sabe por que existe um dia em homenagem à vocês? No dia 8 de março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma em todo mundo. Com essa celebração pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à vocês. Essa é a história do surgimento da comemoração desta data. Essa é a história do dia de vocês.



E OUTRA DO PRESENTE:



Desonrada
Miriam Leitão

Nunca ficou tão clara a hipocrisia das Nações Unidas quanto no caso
divulgado no último fim de semana: a ONU decidiu cancelar a
entrevista de uma paquistanesa vítima de estupro coletivo. Mukhtar
Mai estava sendo apresentada como "a mulher mais corajosa da Terra",
mas a entrevista acabou cancelada porque o primeiro-ministro do
Paquistão estava visitando a ONU e não se queria constrangê-lo.
Ela falaria na TV da ONU, mas, na véspera, a instituição mandou
informar que a entrevista ficaria para melhor oportunidade, porque
isso poderia incomodar o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz,
em visita às Nações Unidas.


A notícia correu mundo imediatamente porque agora a jovem pobre de
uma aldeia remota do Paquistão já é uma celebridade. Mukhtar estava
indo à ONU depois de participar, em Paris, do lançamento do seu
livro "Desonrada", em que conta, no texto escrito por uma jornalista,
seu caso, dramático, repulsivo e, infelizmente, comum.

Mukhtar Mai viveu uma das mais chocantes histórias de violência
contra a mulher jamais divulgada. Ela foi condenada pela Jirga, a
corte tribal, da localidade de Meerwala, em junho de 2002, a ser
estuprada coletivamente. Seu crime? Nenhum! Seu irmão mais novo,
então com 12 anos, estaria se encontrando com uma jovem de uma tribo,
considerada de casta superior. Ofendidas, as pessoas da tal casta
exigiram, como vingança pelo suposto ataque à honra do grupo, que Mai
fosse estuprada.

Ela foi condenada pelo Conselho Tribal e estuprada sucessivamente por
quatro homens, enquanto gritava por misericórdia aos 200 homens que
testemunhavam a viol ência. Para concluir a humilhação, foi obrigada a
desfilar nua até a sua casa. Seria mais um dos milhões de estupros de
que, ainda hoje, mulheres são vítimas, seria mais um dos casos de
violência contra a mulher determinada por alegações religiosas ou
culturais, não fosse a espantosa coragem de Mai.

Recusando-se a ficar em silêncio, ela desafiou seus algozes e
enfrentou o código tribal. Foi à Justiça comum do país pedindo
punição de todos os culpados. Em 2004, eles foram condenados e ela
recebeu uma indenização. Com o dinheiro, abriu uma escola. Mai, que
na sua época nunca teve permissão para estudar, disse que quer
trabalhar para melhorar as chances da próxima geração. "A escola é o
primeiro passo para mudar o mundo. Em geral, o primeiro passo é o que
dá mais trabalho, mas é o começo do progresso", disse, segundo a BBC
News. Ela ainda enfrentou outro constrangimento: no ano passado, teve
seus direitos de locomoção reduzid os pelo governo paquistanês, sob a
alegação de que era para a sua segurança. A suspeita é de que a
intenção era silenciá-la em sua condenação ao país e à omissão do
governo.

Mai já venceu mais esta batalha, mas a ONU acabou ajudando o governo
do Paquistão. Para isso, teve que esquecer até o preâmbulo da
declaração que a criou, que diz o seguinte: "Considerando que o
desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a atos
de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento
de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer,
libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta
inspiração do Homem..."

A ONU, guardiã e defensora dessa declaração universal, decidiu que lá
Mai tem que se calar. Entre dar voz a uma vítima de grave violação
dos direitos humanos ou a mais um burocrata de ocasião, ficou com a
segunda opção.

A luta da mulher por respeito é mais dramática em alguns países, mas
é mundial. No Brasil, uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão,
feita pelo Ibope, mostrou que, entre mulheres que só estudaram até o
quarto ano do fundamental, 31% não discordavam da frase: "Ele bate,
mas ruim com ele, pior sem ele." Até entre quem tem curso superior,
foi possível encontrar 8% que aceitavam a frase.

Nesta área, os dados são imprecisos, porque muitas mulheres preferem
o silêncio, mas, segundo a Fundação Perseu Abramo, um terço das
mulheres com mais de 15 anos já foi vítima de alguma forma de
violência física. Em mais de 50% dos casos, a denúncia não é feita.
No mundo, em alguns países, a taxa de violência chega até a 69% das
mulheres.

Asma Jahangir, da Comissão de Direitos Humanos da ONU no Paquistão,
escreveu na revista "Time Asia" que, nos sete primeiros meses de
2004, nada menos que 151 mulheres paquistanesas foram estupradas da
mesma forma e 176 foram cond enadas à morte "em nome da honra". No ano
em que Mai foi violentada, foram registrados outros 804 casos de
estupros coletivos, 434 deles chegaram a ser noticiados. Os casos de
suicídio de mulheres após condenação semelhante por conselho tribal -
única justiça em grande parte da área rural do Paquistão - são tão
comuns que normalmente são registrados em notícias pequenas nos
jornais locais.

O nome e a história de Mai correram mundo e continuarão correndo nos
próximos anos. Ela virou um símbolo da luta contra a barbárie, pelos
direitos humanos, contra a violência contra a mulher. É admirada,
respeitada e apoiada. Tudo o que aconteceu a ela seria mais um caso
de abuso contra a mulher num lugar remoto, tolerado pelo mundo com a
desculpa de que essa é a cultura local ou essa é a lei religiosa, não
fosse sua determinação de não se calar.

Numa entrevista à CNN, Mai disse, numa vozinha baixa e tímida, uma
mensagem de extraor dinário poder: "Eu tenho uma mensagem para as
mulheres do mundo, todas as mulheres que foram estupradas ou foram
vítimas de violência. É preciso falar sobre o que houve, e lutar por
Justiça." Parece simples e fácil, mas para todas as vítimas de
violência sexual este é o passo mais difícil: falar sobre o crime e
expor a humilhação de que foi vítima.

Publicado em 24 de janeiro de 2006
http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/miriam.asp





Janice





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publicado por nuno1 às 22:01
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Sábado, 11 de Março de 2006

Estados Unidos da América

Um jornalista americano que filmou uma cena onde se vê um soldado estado-unidense a dispararcontra um iraquiano caído por terra( e que posteriormente viria a morrer) levou um ano a receber cerca de 500 ameaças de morte por dia...
América..país da liberdade.
publicado por nuno1 às 19:42
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Sexta-feira, 10 de Março de 2006

Futebol

Ao saber do resultado do sorteio da Taça dos Campeões em futebol, alguém disse: " Coitado do Barcelona...calhou-lhe o Benfica".
E ainda dizem que os portugueses não são optimistas...
Valha-nos o futebol..e dentro do futebol..o Benfica.

A outra telenovela de que falámos ontem, ou seja a da Opa..passa a ser upa...agora parece que o senhor Pais do Amaral, que como todos sabemos é o patrão-mor da Media Capital( TVI e companhia) também quer entrar na corrida...para os milhões da P.T.
Para o efeito conta com os " amigos americanos". Claro , com quem havia de ser?
Aqui não há petróleo como no Iraque, mas não é só o petróleo que dá dinheiro ,né?
Por acaso alguém ainda se lembra que a P.T. foi uma empresa nacionalizada e que os seus milhões de contos de lucros podiam servir para minorar as dificuldades do povo deste país à beira mar plantado?

publicado por nuno1 às 18:11
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Quinta-feira, 9 de Março de 2006

Recomeçando

Há mais dum mês que este blogue desapareceu da circulação..depois daquela vitória cavaquista, fiquei defenitivamente convencido que os portugueses continuam à espera dum qualquer D.Sebastião e que o Cavaco encarna essa figura mítica que terá morrido lá pelas Áfricas..e do qual continuamos a espera...
Bom,hoje que o dito senhor assumiu as suas funções , parece que a grande questão dos jornalistas é saber se ele e o Sócrates se vão dar bem...
O que interessam os problemas dos portugueses? Nada.
Mas, estejam descansados que quanto a essa grande questão eles vão mesmo dar-se bem...muito bem.
Aqui na net até circulou uma foto duma cara (metade Cavaco-metade Sócates). E era bem real...
Então os bancos não estão a ter lucros como jamais tiveram? Então os grupos PT e Sonae não estão a ter um duelo de gigantes para saber quem controla a empresa? E alguém pergunta qual o futuro dos trabalhadores da dita?
Mas que cerimónia bonita que foi o acto da posse. ..O "outro"deu á sola..antes do fim... nem soube disfarçar o facto de ter sido mandado ás malvas...
Mas,em compensação, que figuras brilhantes que lá estiveram. Por exemplo o Bush-pai,sim aquele que da outra vez não acabou a guerra do Iraque mas que teve um belo sucessor no filho, o "campeão dos direitos humanos" e da " liberdade"( basta sabermos o que se passa em Abu-Ghraib e em Guantanamo)
Na verdade, com factos destes estamos mesmo todos "lixados"( para não empregar uma palavra mais certa) e mal pagos, como diz o povo.
Acham que há mesmo vontade para escrever num blogue?
Não será melhor limitarmo-nos a ir para o aeroporto dar vivas ao Benfica? ( valha-nos isso )
Bom, a verdade é que "tudo vale a pena quandoa alma não é pequena" e " há sempre alguém que resiste".
Vamos mesmo resistir?
publicado por nuno1 às 21:35
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